quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Conquista da Pedra do Tubarão em Pancas


Uma vantagem de ser escalador e biker é que essa galera, em cima de suas magrelas, se enfiam em lugares, trilhas e crocas, onde outros mortais (como eu) geralmente não passará (ou dificilmente passará) dentro de seus carros ou, na canela. E estando por estes lugares 'fora dos normais', acabam descobrindo pedras/paredes/montanhas que podem vir mostrar possibilidades de escaladas. E ai o cara sendo também escalador, a combinação fica perfeita!

Um parceiro que tenho de conquistas/roubadas é o André 'Tesourinho', que tem sebo nas canelas pra pedalar e disposição para buscar paredes virgens. Volta e meia o cara me manda alguma foto de uma nova possibilidade de conquista que avistou de um "pedal". Mas geralmente fotos batidas de longe, na correria, sem muito detalhe... e por isso que temos que ir lá conferir de perto pra ver se o que parece ser realmente é. Mas na maioria das vezes não é!

Com o tal biker/escalador citado, em Pancas... mais pra baixo essa foto vai ter sentido. Por enquanto está aqui só pra dar um quebra no texto.


A ultima foto que o Tesourinho me mandou chamou a atenção. Era de uma pedra que ficava em algum - escondido - lugar de Santa Teresa. Ele havia batido uma foto de looooonge, bem de longe! Depois de muito me mandar essa foto repetidas vezes me enchendo já a paciência, combinamos de traçar uma rota de carro, e não de bike, para tentar chegar nela e conferir a potencialidade. E depois de muita estrada de terra com trechos ruins chegamos no objetivo. Um objetivo esse que não atendeu as expectativas. Rolou um semi desânimo em conquistar a linha observada, pois não era muito, digamos, empolgante. E junto com o fato de não localizarmos o proprietário das terras pra pedir autorização, fez resultar na decisão de abandoná-la. Quem sabe em um futuro, bem futuro, a gente volte naquela escondida pedra de Santa Teresa... as formas de ver e vivenciar a escalada está sempre em mutação.

O sábado e domingo estavam reservados para conquistar, mas com o primeiro objetivo frustrado resolvemos dar umas voltas em busca de outras opções. Depois de muito rodar estávamos em Colatina, sem nada na manga para conquistar, e eu de saco cheio com essa história de procurar e não achar nada que realmente chamasse a atenção. Como Pancas não era longe de Colatina lancei a ideia de repetir alguma via e fechar o final de semana pelo menos repetindo alguma escalada por lá.

 As primeiras montanhas de Pancas à recepcionar. Foto Oswaldo Baldin.


No domingo com a mochila arrumada e super leve com equipos só pra repetição, parei o carro de frente para a Pedra da Cara e refleti juntamente com o parça. Uma pedra ao lado dela, com um cume careca e que possivelmente seria virgem, fez a atenção do dia ser desviada para um outro objetivo. Naquele momento o tesão da conquista bateu forte e o plano da repetição foi trocado por traçar uma nova linha por uma rocha virgem.

 Pedra do Tubarão (com o amarelado) menor e à frente, e a da Cara atrás. Foto Oswaldo Baldin.


Momento de reorganizar a mochila e colocar muito mais peso dentro delas. Sol já alto, e o calor de Pancas já mostrando o que nos reservaria de presente. Depois de pedir autorização à Dona Elza, adentramos em suas terras para a caminhada de acesso. Subimos por um costão à esquerda da Pedra do Tubarão (assim chamada por alguns), depois passando por uma canaleta de vegetação para acessar outro costão a direita. Na sequência foi necessário colocar o facão em ação para abrir uma picada até a base da 'corcova' do Tubarão.

O início da via é algo bem óbvio, com uma pequena árvore numa greta na pedra marcando o início.  

Iniciando os trabalhos. Foto André Luis dos Santos.


Pela linha visualmente mostrar que seria uma escalada fácil, decidimos em fazer uma via bem protegida para possivelmente essa passar a ser uma via mais frequentada em Pancas.

Mesmo com o sol mostrando toda sua força progredimos rápido. Conquistei as três primeiras enfiadas, todas na média de III. Depois o Tesourinho conquistou a ultima, um II que depois já segue caminhando. Com mais um simples costão de uns 120 metros chegamos no cume. Um cume careca, sem vegetação, algo que foge dos padrões das montanhas da região.

Tesourinho jumareando ou, posando, com o Camelo ao fundo.
Foto Oswaldo Baldin.



Baldin partindo para a segunda enfiada. Foto André Luis dos Santos.


A via foi batizada de "Dupla Face", ficou com 225 metros e graduação em 3º III+ E2 D1. Ganhou esse nome por dois motivos: o primeiro por falta de uma maior criatividade, e segundo porque está em uma montanha ao lado de onde tem a via "Face Oculta". E na moral da história, o segundo motivo complemente o primeiro!

Para repetir é preciso 7 costuras e duas cordas de 60 metros (pra possibilitar o rapel). Ah, é um facão pode ser de serventia para facilitar o ultimo trecho pra chegar na base.

 Tem que ter uma foto de cume né! Foto Oswaldo Baldin.


A pedra fica em uma montanha menor (com uma mancha amarelada), ao lado de uma maior, que é a Pedra da Cara onde tem a Face Oculta. Para quem chega a Pancas pelo asfalto ao ir se aproximando para passar por debaixo embaixo da Pedra do Camelo, essas duas pedras estão em frente a ela, à esquerda do asfalto. É só parar o carro na casa da Dona Elza - numa entrada a direita, bem debaixo do Camelo - e informar as suas intenções.

O acesso pra via se dá entrando numa plantação de café às margens do asfalto, e logo em seguida já subindo um costão, à esquerda do Tubarão. Ao passar por uma segunda área de terreiro de secagem de café no próprio costão (tem uma pequena barragem de cimento na pedra), atravesse uma canaleta com uma matinha para direita, ganhe outro costão, e depois siga em direção a aresta da pedra. Essa aproximação leva em média uns 40 minutos.

A via segue a aresta da direita. Foto Oswaldo Baldin.


Escalada fácil, bem protegida, e com um cume maneiríssimo. Ficou uma via pra fazer na curtição, e sendo até uma boa pedida para quem for em Pancas a primeira vez, para conhecer o tipo de rocha que lhe aguarda pelas outras vias da região... que são mais exigentes.


Olha o que te espera no cume! Foto André Luiz dos Santos.

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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Conquista da Laços de Família no Cinco Pontões


Para começar o novo ano de forma motivacional e impulsionar a realização das escaladas ao longos dos próximos 12 meses, objetivei realizar uma conquista em Pancas, a primeira de 2015. Reflexionando na mente sobre quem poderia ter disponibilidade em dia de semana para passar uns dias por lá, bati o primeiro telefonema para  Zudivan Peterli. O sujeito atendeu o telefone de cima do Pontão Maior dos Cinco Pontões. Lancei pra ele a ideia de irmos pra Pancas, mas o cara estava lá com o Brunoro e o Antônio (escalador local) com uma sequência de cordas de acesso toda instalada e uma logística traçada para uma nova conquista em um "pontão" virgem. O Zudi me passou um ultimato da minha presença para ajudar a tocar a conquista. E eis que o destino inicial foi alterado.

Uma das faces dos Cinco Pontões, onde estão da esquerda pra direita: a Foca, Filhote da Foca, Língua de Boi, Pontão Rachado e Pontão Maior. Foto Vandelei Zermiane.


Sai de Vitória às 04h da matina com o Marcos Palhares "Tatu", e no Sítio Recanto da Pedra aos pés dos Cinco Pontões o Brunoro nos aguardava. O Zudi e o Antônio já haviam subido para adiantar o processo... da conquista? Esse era o "plano".


Clima agradável na descida da Cangalha. Foto José Augusto Brunoro.


Um clima extremamente favorável em meio ao verão nos recepcionou, com um grande nevoeiro encobrindo o monumento, fazendo a caminhada e subida do Pontão Maior ser bem agradável. Do cume dele fizemos um rapel de 50 metros até a "Cangalha", que liga o Maior ao Gêmeo. Dela rapelamos 40 metros para a base de um corredor de mata bem estreita que leva para a base do Pontão 17 de Julho, Pitoco do Alemão e Pontão Casagrande.

 A outra face, onde o Pontão Maior aglomera: as "Ondas", o 17 de Julho, Casagrande, Pitoco do Alemão, Gêmeo e o cume Maior. Foto Vanderlei Zermiane.


No decorrer deste trajeto o Zudi e o Antônio haviam instalado - além das cordas anteriores - duas chapas (4º grau) para vencer à esquerda, um blocão que forma uma buraco/chaminé//coisa estranha, evitando passar por ele. Depois descendo pela mata chegamos na base da "Onda" onde estavam o Antonio e o Zudi, parados, sentados na base, e afastados da via. Um clima um tanto duvidoso no ar. E eu achando que ao decorrer do nosso acesso ouviria a furadeira em ação. Mas nada, nenhum zoado de furo.

À direta a Onda da via Quebrando Paradigmas, e à esquerda a Onda que conquitaríamos, com a enorme chaminé que as separa e vem lá de baixo, de pelo menos uns 300 metros. Foto Oswaldo Baldin.


Numa ocasião anterior eles já haviam instalado quatro chapeletas para vencer uma barriga em artificial transpondo uma chaminé imensa que separa as duas "Ondas", e forma na verdade um buraco, mas que se consegue alcançar a chapa do outro lado com facilidade. E a base dessa conquista é comum para sair também para a via "Quebrando Paradigmas", conquista de 2014.

Após papo vai e papo vem sobre qual seria a melhor linha, o Zudi fazendo corpo mole querendo sair fora de ir ao encontro da rocha virgem, me vesti então com as tralhas da conquista e comecei os trabalhos. Subi o pequeno trecho do artificial de quatro chapas, me preparei para sair em livre, e o sujeito que me intimou pra essa conquista e, que me convenceu a mudar meus planos me diz: "Faça uma via pra ficar bem protegida e a galera poder repetir tranquila." Bom, como fui um convidado, e visto que a rocha era péssima de parar pra furar, essa frase foi praticada.

 Saída do artificial para o trecho em livre. Foto José Augusto Brunoro.


Fiz um trecho de 4º protegendo com quatro chapas e instalei uma parada, à uns 25 metros da base. O Zudi subiu pra me dar segue. Depois pra sair dela uma nova barriga vertical escassa de lugar pra parar e impossível para cliff me fez colocar duas chapas pra passar em A0. Trecho esse que seria bem possível de repetir em livre... o problema sempre é parar nesses lances pra furar na conquista. Então o lance é proteger como dá conquistando, de forma a possibilitar a repetição futura em livre.


Escalada em cristais, característica presente em todas as vias do complexo. Foto José Augusto Brunoro.


Aquele clima fresco de nevoeiro já era coisa do passado. O sol estava fritando, e o verão capixaba mostrando toda sua voracidade. Eu afim de dar uma aliviada no esqueleto perguntei ao Zudi se ele tocaria um pouco da conquista, pois revezamento faz parte deste "jogo". O cara - querendo me engambelar - dizia: Só de observar daqui, te dando segurança está sendo um grande aprendizado. Na moral da história, segurança boa e vibe de incentivo eu teria naquele dia, agora a ponta da corda tinha sobrado só pra mim mesmo, rs.

Ao horizonte o tempo estava feio em Afonso Claudio, com nuvens escuras encobrindo os Três Pontões e raios desenhando (e assustando) no céu. Usufruindo da tecnologia o Brunoro navegou em uns sites e viu que a chuva era prevista pra gente. A ideia de abandonarmos a conquista foi cogitada, mas o otimismo exacerbado do Zudi não nos deixaria abandonar aquela conquista sem no cume pisar. Porém os três bravos guerreiros da logística e do grande apoio, Brunoro, Antônio e Tatu resolveram começar a sequência de retorno, por dois motivos: não haver congestionamento nas sequências de jumareadas, e para de outros ângulos baterem umas fotos de nós. O resultado dessa decisão foi a melhor.

Batendo o último grampo da Onda, com captura de imagem da Cangalha. Foto José Augusto Brunoro.


Depois da P1 fiz uma horizontal fácil para direita. Analisando por onde a linha continuaria a opção escolhida era na reta, porém numa parede quase vertical e sem agarras que pudesse parar em cliffs e furar. E é ai que mora o dilema da conquista: você está diante de uma sequência que sabe que dá pra mandar em livre - depois da via aberta -, porém para conquistar não tem como parar nos lances pra furar, naquele caso nem na "batata da perna" em algum cristal e nem em cliffs de agarra. Como a ideia era fazer uma via para ser bem acessível, entramos num acordo de passar em A0 para depois as repetições terem a opção de passar em livre ou em artificial, e assim permitindo acessibilidade para todos os gostos.

Da P1 pra P2. Foto José Augusto Brunoro.


Depois do artificial bati uma parada, e o final da onda já podia ser visto. Numa sequência de escalada em livre fácil sai até de bota, porque não aguentava mais a sapatilha fritando no pé. Bati a parada do final da via, levantei o pescoço por cima da onda e lá estava a outra face da montanha. A pedra que escalamos parece uma língua jogando pra fora do paredão, dando uma sensação incrível de negatividade. E cume possuindo nada mais que 1 metrinho de largura. O livro deixamos em uma marmita debaixo do bloco à esquerda da parada.

Cadê os caras? Foto José Augusto Brunoro.


Missão cumprida, em partes. O retorno ainda demandaria uma sequência de caminhada, jumareada, jumareada novamente, rapelada, caminhada, carro e, cerveja! E foi só lá pela meia noite que tomamos a tão desejada cerveja no Sítio Recanto da Pedra, saboreando a comida da Luzia.

Neste ultimo final de semana o Naoki e o Afeto fizeram a primeira repetição da via - após terem conquistado uma nova linha no 17 de Julho - e passaram em livre o lance saindo da P1 e depois a sequência de A0, dando 5º+ para ambos os lances. Fica ai as duas opções para futuras repetições.

O nome da via se refere a um hábito que foi se criando na escalada capixaba de que, quando alguém é iniciado na prática sempre pergunta-se sobre com quem o novato escalador aprendeu a escalar, dirigindo a esse como o "pai" (ou mãe) da cria. E isso acaba criando um vínculo na comunidade. Como o Tatu foi um dos meus primeiros alunos há mais de 10 anos, O Zudi e o Brunoro numa geração mais recente, e o Antônio provavelmente também será, assim fluiu o nome. Estávamos em família! rs

Começando o ano muito bem!


Valeu Zudi pela parceria na conquista, e por ter me convencido a mudar meu destino. E obrigado aos comparsas Brunoro, Tatu e Antônio, que foram fundamentais para o apoio e logística, que resultou nessa escalada super de boas energias nessa que é na minha opinião, a montanha mais exótica e imponente do ES.


Dicas para repetição:

- A primeira dica é entrar em contato com o Antônio, pois ele tem sido a referência sobre informações de acessos, apoio e é a base dos escaladores e outros aventureiros com seu sítio aos pés da montanha. (27) 99767-5150.

- A logística para acessar essa via é: subir o Pontão Maior pela - polêmica - via ferrata e rapelá-lo de frente ao Pontão Gêmeo, deixando uma corda fixa de 50m nesse trecho. Ir até o meio da Cangalha (colo que une o Maior com o Gêmeo) e rapelar 40m deixando outra corda fixa. Caminhar pela matinha - que fica à uns 300m de altura - e passar um lance à esquerda com duas chapas para contornar um blocão que forma uma chaminé. Depois é continuar caminhando e descer pela mata. Neste local é o acesso para (na sequência descendo) o Pitoco do Alemão, Pontão Casagrande, 17 de Julho, vias K-Olho, Laços de Família e Quebrando Paradigmas.

- De equipo são 10 costuras e pelo menos dois estribos. Fora as duas cordas fixas é possível escalar a via com somente uma corda. Se tiver com duas de 60m a vantagem é que dá para rapelar a via toda de uma só vez. 

- Em breve publico o croqui. :-)



quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

4ª Mostra de Filmes de Montanha do ES


 
A quarta edição da Mostra de Filmes de Montanha do ES acontecerá no dia 17 de Dezembro (quarta) no Cine Jardins em Vitória, e contará com duas sessões: uma dedicada à produções nacionais, e outra com um filme do circuito mundial do Reel Rock.
 
O evento tem início às 19h e segue até as 23h. E contará, além de ótimos filmes relacionados a cultura de montanha, também com a "Exposição Fotográfica Yosemie" do fotógrafo Naoki Arima, e com o "I Prêmio Macambira": Valorizando o Montanhismo Capixaba.
 
 
1ª SESSÃO: FILMES BRASILEIROS
 
  
 A CARTADA FINAL
Direção: Caio Amador 'Afeto', Escalada, ES, 2014, 10min


Este filme mostra a conquista dos escaladores Naoki Arima, Caio Afeto e Roney Celin 'DuNada' da via 'A Última Cartada' na Pedra São Luís na região próxima a cidade de Castelo-ES. Uma aventura acompanhada de perto pelos locais da família Laquini.
 
 
THE MANIACS
Direção: Alexandre Dertkigil, BASE Jump, SP, 2014, 19min
 
 
A trajetória de um multiesportista radical que quase perdeu a vida após se acidentar em um salto de BASE Jump. Dez anos depois, com 50 anos de idade, resolve voltar a saltar. Um verdadeiro exemplo de determinação, perseverança e amor pelo esporte. Uma inesquecível lição de vida.
 
  
SOL NA CARÁ
Direção: Oswaldo Baldin, Escalada, ES, 2014, 20min
 
 
Três investidas, cinco noites na parede, e 70kg rebocados pedra acima sob o sol de Pancas na região dos Pontões Capixaba. A conquista da via Sol Invicto na Pedra Cará é retratada pelos escaladores Sandro Souza, Oswaldo Baldin, Hermes Thorvalden e Fábio Guerra de forma descontraída com belas paisagens, ação e a vida como ela é, na vertical.
 
 
PARAÍSO
Direção: Gabriel Tarso, Escalada, SP, 2014, 13min
 
 
Paraíso, é a história de um recanto. O recanto dos escaladores da região do Vale do Paraíba que tem se expandido para o Brasil. É a história de todo esmero de Inácio, Cláudio e Luiz Flávio. Três pessoas que dedicaram tempo e, sobretudo, paixão. A Falésia Paraíso se tornou um lugar para se admirar: um dos maiores picos de escalada do Brasil.
  
 
2ª SESSÃO: FILME DO REEL ROCK 9
 
VALLEY UPRISING
Produção: Sender Films, Escalada, EUA, 2014, 90min
 
A história da meca mundial da escalada tradicional, o Parque nacional de Yosemit na California. Com imagens históricas e inéditas, o filme é narrado pelo ator Peter Sarsgaard, e tem a participação de grandes nomes da escalada americana como Dean Poter, Lynn Hill, Alex Honnold, assim como lendas do Yosemith como John Long, Yvon Chouinard e Royal Robbins.  
 
 
 
 
O "I Prêmio Macambira" foi criado pela ACE, e tem o objetivo de valorizar realilações do cenário do montanhismo capixaba. 
 
No evento serão distribuídas cédulas para votação, e estarão concorrendo ao prêmio de 2014:
 
-> Abertura de Vias em Amarelos - Guarapari
-> Cadena de 10º do Felipe Alves no Calogi – Serra
-> Escaladas na Ilha de Trindade – Litoral Capixaba
 
SERVIÇO
 
- Local: Shopping Jardins em Jardim da Penha/Vitória, à partir das 19 horas.
 
- Ingressos: R$ 30,00* (meia entrada). O passaporte dá direito às duas sessões + participação no sorteio**.
 
- Locais de Venda: Shopping Jardins, Sede da ACE, e com Redi. 
 
* Associados da ACE com a mensalidade em dia 20,00.
 
** A Pousada Suiça apoia este evento, e estará oferendo o sorteio de um final de semana gratuito para 01 casal: www.pousadasuica.com.br
  
- Informações: www.ace-es.org.br
 
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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

8º Encontro Capixaba de Escalada





Este ano o clássico e itinerante evento da Associação Capixaba de Escalada (ACE) acontecerá no município de Águia Branca. Localizado no noroeste do Espírito Santo, à 220 km da capital Vitória, o município abriga o Monumento Natural dos Pontões Capixabas - juntamente com Pancas -, que vem se consolidando como o maior centro de escaladas longas do Estado. 
 
 
As potencialidades de Águia Branca. Foto André 'Tesourinho'.
 
 
PROGRAMAÇÃO
 
22/08 (Sexta)
- À partir das 17h: Recepção dos participantes no Sítio Santa Cruz* (base do evento).
 
23/08 (Sábado)
- À partir das 06h: Recepção e venda de camisas;
- Escalada durante todo o dia;
- 19h: Jantar;
- 19h: Filmes de escalada;
- 20h: Palestra: Sol Invicto, uma conquista em Pancas, com Oswaldo Baldin e Sandro Souza;
- 21h: Palestra: Acesso à Montanha, com Sandro Souza;
- Sorteio de brindes*.
 
24/08 (Domingo)
- 06 às 08h: Café da manhã;
- 09h: Roteiro de caminhada. Interessados deverão acertar o valor de 10,00 no local;
- 09 às 11h: Workshop de revisão do PAARE (Prevenção de Acidentes e Auto Resgate em Escalada): Zé Márcio Dorigueto;
- 12h: Finalização do evento;
- Escalada durante todo o dia.

* Em breve será disponibilizado informações de como chegar no sítio. E no evento o acesso estará sinalizado.

** Os apoiadores que estarão disponibilizando produtos para sorteio são: 4Climb, Alpen Pass, Base Brasil, Bonier, Companhia da Escalada, Deuter, Kampa, Planeta Vertical, Sapo Agarras e Resseg.


 
 
OBSERVAÇÕES
 
- No sábado os escaladores Oswaldo Baldin, Sandro Souza, Thiago Karapeba e Zé Márcio estarão disponíveis para formar cordadas (antecipadamente) em diferentes vias, com escaladores que busquem parcerias. Essa é uma ideia direcionada para quem está iniciando no esporte, para que tenham a oportunidade de fazer uma via longa. Quem quiser, é só contata-los.
 
- As mulheres inscritas ganharão um brinde da Deuter.
 
- O valor da inscrição contempla pernoite em camping ou beliches. Terão quatro quartos disponíveis, e quem desejar reservar deverá inserir 50,00 à mais no valor da inscrição.
 
- Estará disponível para venda 50 camisas personalizadas, no valor de 35,00, e 30,00 para os associados com as ultimas 06 mensalidades em dia.
 
 
 
INSCRIÇÃO
 
O valor é de R$ 55,00. E para os associados com as ultimas 06 mensalidades em dia o valor é de R$ 40,00. O prazo para inscrição se encerra no dia 21/08.

Está incluso nos valores acima: 02 pernoites (no camping ou beliche), janta no sábado, café da manhã no domingo, e participação no sorteio.

Deve ser feito o depósito na conta da ACE, e em seguida enviar email* informando: encontro@ace-es.org.br
 
Caixa Econômica Federal | Agência: 2042 | Operação: 013 | CC: 130-5 | CNPJ: 06.049.672/0001-78
 
* Se quiser reservar sua camisa (e tamanho) e/ou quarto, deposite o valor destes itens junto, e informe isso no o email.
 
 
AS ESCALADAS
 
O lugar possui até o momento 20 vias no estilo tradicional. A grande maioria acima dos 250 metros, e que chegam até os 600 metros de extensão. Possuem uma graduação média que variam do 3º ao 5º grau, e a predominância em agarras/cristal. A maioria dessas vias possuem enfiadas de 60 metros, sendo obrigatório levar duas cordas para possibilitar o rapel.
 
 O cardápio de escaladas da região. Clique para ampliar.
 
 
Em breve será disponibilizado informações mais detalhadas sobre cada uma dessas vias acima, pra assim você já ir pra Águia Branca com seus objetivos na manga.
 
Por se tratarem de escaladas longas e algumas demoradas, não entre tarde na via. E leve sempre em sua mochila: Headlamp, anoraque, lanche e água (pelo menos o mínimo de 2 litros). E é recomendável levar celular e usar capacete!
 
Alguns escaladores que tem visitado a região com mais frequência pode ajudar cominformações sobre as vias e acessos. Contatos pelo Facebook com André Tesourinho, Oswaldo Baldin e Thiago Karapeba

Maiores informações na ACE: www.ace-es.org.br
 
No mais, nos vemos nos dias 22, 23 e 24 de Agosto em Águia Branca!
 
 
  

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Conquista na Pedra do Lajão em Águia Branca, ES


Pedra do Lajão avistada da estrada. Foto Oswaldo Baldin.


E lá estava ela! Sempre! O tempo todo! Durante todas  as idas e vindas de quem cruzava a estrada de terra que leva ao cartão postal de Águia Branca: os Três Pontões. Uma parede estética, longa, que a estrada apresentava de frente após virar uma curva. E possivelmente por isso, deve ter sido namorada por alguns escaladores/conquistadores... inclusive por nós três: Fred Knopp, André "Tesourinho" e eu, que há tempos  estávamos querendo abrir uma via nela.


Do lajão que deu nome à pedra, essa é a vista da parede.
Foto Andre Luiz dos Santos.


E foi chegada a hora, depois de muito tentar e finalmente conseguir conciliar a disponibilidade dos três indivíduos durante quatro dias, em dias de semana. E lá fomos nós!

Eu e Tesourinho fomos um dia antes. Chegamos lá tarde, e com isso não deu pra fazer muito no primeiro dia. Foi um final de tarde dedicado para escolher a melhor linha para a conquista, traçar a estratégia de aproximação, e abrir uma trilha que teve que ser à base do facão.

Particularmente prefiro me embrenhar no mato sem portar as lâminas de aço, pela locomoção ser bem mais rápida. Mas nesse caso além do mato estar bem fechado, julgamos mais sensato abrir uma picada de trilha para facilitar o acesso durante os dias seguintes e, para facilitar a localização do acesso para as futuras repetições.


A primeira proteção dos quase 500 metros de parede. 
Foto Andre Luiz dos Santos.


Para aliviar a fomiagem de fazer a via começar a surgir na parede, peguei a segurança do Tesourinho e parti para conquistar a primeira enfiada. Onde a rocha se apresentou mostrando-se agradável: aderente e não quebradiça. Empolgado, mas com os raios de luminosidade indo embora, continuei, conquistando a segunda enfiada, que apresentou uns lances mais técnicos, e essas passadas acabaram ficando mais protegidas. Bati a parada já no escuro, e rumamos de volta pra cidade.


... da janela do hotel em Águia Branca. Foto Oswaldo Baldin.


No dia seguinte o Fred chegou para se juntar na cordada, e passamos o dia todo no ato da conquista. Continuai no trampo, puxando a ponta da corda, e a cada enfiada finalizada, ao perguntá-los quem conquistaria a próxima, os caras só diziam que estavam bem acomodados ancorados, e querendo estar somente na onda de dar segurança, rs. Esses parceiro são fodas! 

Como eu estava pilhado, e afim de conquistar meeeeesmo - azar deles que não faziam questão -, a cada enfiada ia mais amarradão na vibe da conquista. E assim rolou de finalizar o dia com seis enfiadas concluídas. E baixamos da montanha na tranquilidade, ainda de dia.


Entardecer com o supremo Três Pontões.  
Foto Andre Luiz dos Santos.


Acordamos no terceiro dia com o esqueleto um tanto doido, então resolvemos tirar o dia para descanso. E como não poderia ser diferente, passamos algumas horas entre sobe e desce, e muitas curvas em estradas de terra procurando novas paredes virgens, vislumbrando linhas, e enxendo ainda mais a manga de possibilidades para se conquistar nesse município do noroeste capixaba.

Momento 'bascana', da escaladinha móvel da via!
Foto Andre Luiz dos Santos.


No quarto dia de empreitada começamos o dia de trabalho jumareando por 300 metros de cordas fixas. Sai para conquistar a sétima enfiada, e na parada dela foi que deu pra ver o restante da parede que faltava, e que revelou uma muralha seguida de um diedro que levava para a parte mais alta da montanha.

Reunidos na P7, e eis que surge o espírito de conquistador no Fred: ele pega a furadeira, ajeita os apatrechos em sua cadeirinha, e enfim parte para ir em busca do desconhecido. Uma hora algum membro da 'dupla dos tesouros' tinha que tomar uma iniciativa! rs. Então lá foi ele, esticou, e bateu a parada num platô muito bom, que era a base da parede da reta final da via.

Ultimo trecho, e a parte mais estética da escalada. 
Foto Andre Luiz dos Santos.


A parede a seguir era bem convidativa, de cor esbranquiçada, agarras visíveis, e pouca vegetação.

Como os parceiros não quiseram, parti - com muito prazer - para conquistar o trecho final da via. 

Como essa oitava enfiada se apresentou com uns lances mais técnicos (em ótimas agarras), fui protegendo num padrão E2, e desfrutando da enfiada. No final ela encontra com o início de um grande diedro (mas que não necessita de móvel nessa parte), e finaliza em seguida essa enfiada. Muito maneira mesmo!


E, cume! Foto Andre Luiz dos Santos.


Continuei tocando para a ultima enfiada, que saindo da parada rolou de fazer uma proteção com um camalot pequeno, depois entra em uma vegetação (se quiser rola proteção natural), e a via continua na rocha limpa logo na sequência, para a direita. Essa parte é linda, é onde se pega uma aresta que mostra realmente a grandiosidade da parede escalada. E com mais um pequeno trecho de vegetação, final de parede rochosa e, final de via!

Com uma caminhada de uns 15 minutos, passando à direita do grande blocão no topo da montanha nos levou ao cume, de onde se tem uma visão magnífica das montanhas de Águia Branca. E lá deixamos o livro de cume embaixo de um grande totem.


A "Pirambéu Espelhado". Foto Oswaldo Baldin.


A via totalizou 485 metros, e por enquanto graduada em 4º V+ D2 E3. As enfiadas são protegidas com chapeletas, e as paradas duplas são em grampos. E em todas as enfiadas em que os lances são um pouco mais técnicos, estes estão bem protegidos. Para os poucos trechos em móvel, leve Camalots do nº 0.5 ao 4. É necessário duas cordas de 60 meros para possibilitar o rapel, e recomendável o uso de algumas costuras longas e fitas diversas.


Clique para ampliar o croqui.

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Esse nome um tanto exótico foi dado à via em decorrência de conversas com nosso amigo "Piu", morador de Águia Branca e esposo da nossa grande parceira Vera Souza, que sempre nos ajuda muito por nossas estadias por lá.

Em conversas sobre pedras e escaladas com o Piu, ele disse que, quando a pedra é muito grande pode se dizer que é um "pirambéu". E quando ela chega a ser bem inclinada, parece ser "espelhada". Isso fluiu como poesia, rs. E resolvemos batizar a via como Pirambéu Espelhado, em homenagem ao nosso amigo figuraça Piu.

Conversamos com moradores no entorno para averiguar, e como todos afirmaram que a montanha não tinha nome, resolvemos batizá-la como Pedra do Lajão, pois o grande ponto de referência para ir ao encontro dela é uma laje de pedra enorme, ao lado esquerdo da estrada, e que forma uma área plana de rocha esbranquiçada, de onde se tem uma visão muito boa da parede e da linha da via. E desse lajão também dá pra curtir um belo visual de toda a cadeia montanhosa do vale.

Para chegar na via é só entrar à direita após passar a ponte na cidade de Águia Branca e seguir. Em um momento que aparecer uma bifurcação siga para a direita. A estrada vai te revelar essa parede de frente, não tem erro! O melhor acesso para a via é seguir mais um pouco e parar o carro perto do lajão descrito. Caminhe nele tendenciando para a esquerda, depois vá descendo o pasto até onde ele termina em uma matinha. A trilha inicia bem na ponta da direita da matinha, bem embaixo. 

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Pedra do Ney, Bico da Coruja e Pedra da Onça ao fundo.
Foto Andre Luiz dos Santos.


Valeu parceiros por mais essa grande conquista! E que ao final acabou sendo muito engrandecedora pra mim, possibilitando uma vivência continua e mais intensa 'do ato' de conquistar. Então de certa forma, obrigado por terem negado tanto a ponta da corda, seus sacanas! rsrs.


segunda-feira, 23 de junho de 2014

8º Encontro Capixaba de Escalada




O já consolidado evento anual organizado pela Associação Capixaba de Escalada vai para sua oitava edição. E esse ano o cenário será o município de Águia Branca, localizado no noroeste do ES, que compõe um reduto de grandes vias tradicionais, que estão englobadas dentro do Monumento Natural dos Pontões Capixabas.
 
Em breve será divulgado maiores informações sobre inscrições, programação, lista de vias, dentre outros. Fique ligado e se programe para curtir este clássico evento da escalada capixaba. Escaladores(as) de todo o Brasil estão super convidados!

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Festival Capixaba de Boulder




 
Com o objetivo de divulgar e desenvolver as várias vertentes do esporte no Espírito Santo, em julho os escaladores capixabas contarão com um Festival de Boulder nas areias da Praia da Costa em Vila Velha, em um grande evento que englobará outras quatro modalidades esportivas praticadas nesse município que compõe a região da Grande Vitória, e abriga um dos mais clássicos campo escola do Estado, o Morro do Moreno.
 
O Festival Capixaba de Boulder é uma realização da Planeta Vertical, e contará com uma estrutura de parede de escalada que será montada exclusivamente para o evento. E tem o apoio da Secretaria de Esportes de Vila Velha, e Associação Capixaba de Escalada - ACE.
 
Essa é mais uma oportunidade dos escaladores capixabas se reunirem, confraternizar, e irem em busca da ultima agarra dos boulders a serem montados. Em um evento que terá grande visibilidade, por ser em uma área aberta, atraindo o público em geral.
 
Em breve teremos maiores informações. Mas uma boa dica é aproveitar que a mensalidade do muro da ACE abaixou, e ir dar uma treinada!

 
 
 
 
 
 

domingo, 8 de junho de 2014

Recauchutada na Via Casa da Mãe Joana



Via casa da Mãe Joana. Foto Hermes Thorvalden.


Um ponto de parada em uma via onde cada uma das duas chapas possui uma malha rápida em cada literalmente não é a melhor opção, pensando no momento do rapel. A corda tente a ficar extremamente pesada pra puxar, e muitas "cocas" se formam ao longo da corda. Mas as vezes no corre da conquista...
 
E é o que aconteceu em 2010 quando conquistei essa via com o Hermes Thorvalden e Jose Luiz Pappone, (que foi a primeira da parede, hoje existem outras três). Esse é o equipo que tínhamos na ocasião da conquista, e assim havíamos equipado as paradas. E as cordadas que repetiram a via passaram essa dificuldade citada.
 
Essa semana repeti a via pela primeira vez após a ter conquistado - três anos depois -, com o Fred Knopp. E aproveitamos para trocar todas as paradas por "Tops" (chapas com argolas) da marca nacional JGariglio, ficando agora bem tranquilo para recolher a corda pós rapel.
 
E também aproveitei para bater uma chapeleta em um lance que era bem exposto na quarta enfiada (a enfiada crux). Agora o lance está mais protegido, e acredito que possibilitará que mais gente repita a via com maior tranquilidade.

E uma dica é levar um Camalot # 1 e/ou 2 para melhorar a proteção  da quinta enfiada, em uma fenda que fica após a segunda chapeleta e antes da parada. É uma opção, mas que dá pra fazer sem a(s) peça(s) também.



 
Para ver maiores informações sobre a via, acesse o relato da conquista clicando aqui.
 
 
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sábado, 10 de maio de 2014

Conquista na Camela em Águia Branca


A estética Pedra Camela, ES. Foto André Luiz Santos.


Hoje são 18 opções de vias em Águia Branca, a maioria acima dos 300 metros de extensão, que se espalham pelo vasto relevo rochoso deste município localizado no noroeste do Estado. E junto com o seu município vizinho Pancas, se tornam a  a maior concentração de grandes vias no Espírito Santo, ligados rochoso Monumento Natural dos Pontões Capixaba. Um destino à cada dia mais consolidado nas escaladas tradicionais.


Fred iniciando a quarta enfiada. Foto André Luiz Santos.


Sempre, em cada visita que fazemos nestes municípios, ao terminar uma escalada ou nova via, voltamos pra casa com um monte de novas opções 'na manga' de linhas para conquistar nas muitas paredes que nos deparamos pelo caminho. E com isso nossas mangas vão ficando cheias, felizmente, pois não se esgotam as novas possibilidades de rochas virgens para serem desfrutadas.

E numa dessas idas e vindas em Águia Branca, deixo para o amigo André descrever abaixo como é que surgiu e foi acontecendo a conquista da montanha que é título deste post.


Pedra Camela à esquerda. Foto André Luiz Santos.

Amostra do relevo de Águia Branca. Foto André Luiz Santos.

 
"Após a conquista da via 'Olhar do Junior' na Pedra Bonita (juntamente com o Oswaldo Baldin e o Fábio Gerra), eu (André) e Fred decidimos sair à procura de uma nova montanha para iniciar outra conquista nos arredores. E encontramos justamente no triângulo de divisas entre Águia Branca, Nova venécia e São Gabriel da Palha a Pedra Camela. Fato ocorrido em 2011, ano em que eu tornara pai há poucos meses, e Fred estava com sua esposa grávida, ambos marinheiros de primeira viajem na paternidade, e detalhe: de duas meninas. Dai entramos em comum acordo de que iríamos conquistar essa via em homenagem a nossas filhas.
A primeira investida foi em 2011 e rendeu duas enfiadas conquistadas utilizando batedor. Depois em 2012 retornamos para estrear a furadeira, fazendo render mais duas enfiadas. 
Em 2013 eu e Fred conseguimos programar nossas férias juntos, com plano de finalizar duas conquistas, ambas em Águia Branca. E em 30 dias de férias rendeu apenas uma enfiada (rsrsrsrs). A alta positividade do meu parceiro contribuiu para essa incrível progressão!
No Carnaval de 2014 surgiu uma boa oportunidade de dias disponíveis. E com a ideia de fazer uma boa ação de livrar dois jovens do álcool nessa data específica, então intimei esses dois brothers (Baldin e Gilson) para formar a trip e dar um suporte nessa quarta investida na Camela, em busca do cume."

 
André estreando sua furadeira. Foto Frederico Knopp.


Pois é! Com esse convite eu e o Gilson entramos na barca para conhecer a Camela, objetivando todos a finalização da via. Juntamos com Fred e André em Ibiraçú e pegamos o asfalto rumo à montanha, chegando na base dela já quase escurecendo. Mas nos últimos raios de luminosidade ainda foi possível perceber que a linha que a dupla pegou era muito estética e bonita, e isso motivou ainda mais!


Símbolo de Águia Branca, os Três Pontões. Foto Oswaldo Baldin.


Acertamos de dormir em uma pedreira, pois ficaria perto e facilitaria a aproximação. Infelizmente esse é o ponto negativo das imediações da pedra: um cenário de destruição ocasionado por uma pedreira que está em atividade próximo à Camela. E este não é um caso isolado, pois dezenas de outras pedreiras estão espalhadas pelo norte e noroeste do ES, contrastando a beleza de monumentos naturais com o "avanço" (?) desenfreado e horrível das pedreiras, detonando as paisagens capixabas.

Mas voltando... dessa pedreira é só subir um pasto que se chega na base da pedra com apenas uns 10 minutos de caminhada, tornando essa, uma escalada de grande facilidade de acesso.
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Baldin continuando a quinta enfiada. Foto André Luiz Santos.


Esquematizamos de revezar as guiadas das quatro primeiras enfiadas já conquistadas, e assim fomos. Quando chegamos na P4 o André me deu as coordenadas sobre a continuidade da via e me preparei para guiar a quinta e finalizar a conquista dessa enfiada que ele quase havia finalizado na investida anterior. E no momento de partir eis que o tempo deu uma virada e a chuva começou a respingar. Neste momento o Fred, com o seu já clássico pessimismo tenta nos adrenar, mas como eram 3 contra um, o otimismo ganhou! A nuvem aguada se foi e eu parti para repetir a enfiada, onde em alguns trechos o André havia conquistado com alguns furinhos de cliff. Mas repetindo deu pra escalar toda em livre, passando por um crux bem legal. Fui no limite que ele havia ido na investida anterior e a finalizei batendo a parada.


Camela à esquerda, e Invejada à direita. Foto André Luiz Santos.


Com todos reunidos na na P5, ao observar o trajeto acima é que minha ficha caiu, do porque a dupla (ou casal? rs) André e o Fred teria colocado tanta pilha convidando para ir nessa conquista: à frente estava o trecho que viria a ser o crux da via, rsrs. A parede ganhou um pouco mais de inclinação, e era ausente de agarras para ficar momentaneamente para instalar os grampos. Querendo evitar de fazer furos de cliff me utilizei de ficar 'ancorado' momentaneamente em pequenas bromélias para furar, e levitando nelas rolou de proteger esse trecho (6º). Transpus um peitoral, a pedra se deitou novamente, numa escalada mais fácil dei um esticão finalizando a P6.


 A distância entre a Camela e os Três Pontões. Foto André Luiz.


A vegetação do cume já estava bem à vista. Então o André deu uma pilhada no Fred, que pegou a ponta da corda e esticou até o final por um trecho bem tranquilo, batendo apenas um grampo no meio de 55 metros. E lá fomos nos reunir nós ao encontro do final da via, e para a sombra de coqueiros e árvores que nos recepcionaram ao final desta escalada.

Eu e o Gilson sabíamos sobre a história narrada acima pelo André, que essa conquista era para homenagear sua Alice e a filha do Fred, a Laura. Mas eis que o André saca o livro de cume e nos mostra a foto de ambas princesas nas folhas do caderninho, e nos diz que sugeriria o nome da via de "Anjos". Foi um momento onde todos, com emoção, concordaram plenamente com o nome e assim a batizamos. E lá no cume da Camela encontra-se p livro de cume, que guarda a foto desses dois anjos, o relato desses quatro escaladores, e aguarda o registro de futuras repetições.
 

 Via Anjos finalizada, na parceria! Foto André Luiz Santos.


Valeu parceiros Fred e André por mais uma grande vivências juntos, e pela boa vibe com o carioca Gilson, com quem pude dividir a cordada pela primeira vez.


 
A Anjos. Foto André Luiz Santos.


A via segue pela linha mais natural e óbvia da montanha. Uma escalada toda protegida em grampos P de 1/2 e com paradas duplas. São necessárias 12 costuras (algumas longas para diminuir atrito) e corda de 60 metros (duas para possibilitar o rapel). Certamente essa via agrega como uma das mais acessíveis para escalar em Águia Branca, com aproximação super fácil, e por ser uma linha bonita que pode ser escalada super leve. Todos "trechos crux's" de cada enfiada estão muito bem protegidos, tornando essa via tranquila para ser escalada, na super curtição.




Acesso: Na saída de Águia Branca (sentido Vitória x Barra de São Francisco) passar o posto e sair do asfalto entrando à direita, por uma estrada de terra. O sentido é sempre objetivando o visível Três Pontões. Após passar por ele entrar numa bifurcação à esquerda (neste momento são 13km percorridos a partir da cidade). Depois na próxima à direita, e na outra à esquerda (onde existe uma pequena igreja). Seguir até a casa da Dona Marina, onde se deve avisar sobre sua visita e intenções. Todo esses trajeto por estrada de terra à partir da cidade tem 20 km.