sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

34 dias pendurado em solitário no Cerro Escudo

O californiano Dave Turner, de 26 anos, terminou uma nova rota em solitário na colossal face leste do Cerro Escudo, a oeste das Torres del Paine, no Chile. É a primeira ascensão completa desta parede até o topo: A4+, 1.200 metros, negativos em boa parte, 34 dias na parede. Uma atividade extraordinária em uma temporada patagônica excepcional.

Na parede. Foto cortesia de climbing/Mike Rayner, mytb.org/mrayner
A face leste do Cerro Escudo, situada muito próxima das Torres del Paine, é uma muralha a qual não se encontra escaladores muito frequentemente.
1.200 metros de parede, negativa em boa parte. Até o momento, ninguém havia conseguido traçar uma rota sobre ela que chegasse ao topo. Porém o jovem californiano Dave Turner conseguiu, depois de 34 dias em solitário na parede, escalando em estilo cápsula. (O estilo cápsula, vamos recordar, consiste em uma vez que os escaladores entram na parede, já não voltarão a descer ao solo; entretanto, não movem seu *portaledge (*barraca de parede) todos os días, mas o fixam em um ponto, escalam, voltam para dormir nela, e no dia seguinte jumareiam até o ponto mais alto alcançado. Quando a distância entre o ponto alcançado e o portaledge é muito grande, se move o acampamento até um ponto superior.


Assim são 1.000 metros com muitos trechos de negativo. Foto de Leslie Fuckso


A via alcança um grau de A4+. As vezes, em artificial, é comum aos simples mortais imaginar o quanto difícil que poderia ser esse grau, a 1.000 metros do solo, e qual seria a diferença entre o A4+ e um A5.Alguns escaladores sulafricanos que se encontravam na região seguiram as evoluções de Dave, inclusive comunicando-se com ele todos os dias.
Anteriormente a esta rota, só havia uma via na parede, mas que não acabava no topo. Se trata da via “The Dream”, (VII, A4+), escalada também em estilo cápsula por Chris Breemer, Brad Jarret e Christian Santelices, no ano de 1995. Esta via, durante muito tempo, foi considerada como a mais difícil dentro dos Big Wall chilenos.
A Patagônia, pouco a pouco, está adquirindo a importância que merece dentro do âmbito alpinístico internacional. Sempre foi um lugar de grandes escaladas, mas agora parece que finalmente se tornou no local de hibernação dos melhores, não só da Argentina e Chile, como até agora, mas sim de todo o mundo, especialmente do hemisfério norte. Grandes nomes europeus e norte-americanos começaram a ter o costume de ficar por ali durante o verão austral, o que está permitindo que constantemente vejamos grandes atividades.

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