quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Complexo do Itabira: Tradicionais no ES

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Apesar de ser um estado com diversas possibilidades de estilos de escalada, a fama que o Espírito Santo sempre carregou - e vai carregar - é de ser um estado com condições perfeitas para escaladas longas. De norte a sul grandes paredes desabrocham na paisagem, e muitas delas, montanhas realmente impactantes e iponentes, nem se quer tem nome, pois se misturam com outras tantas...
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Baldin em uma das montanhas do Complexo do Itabira.

Ao longo dos anos vias tradicionais vem sendo conquistadas em toda extenção do estado, tendo o grande boom na década de 70, com cumes atingidos nos Cinco Pontões em Laranja da Terra, Pedra do Fio em Castelo, Pedra da Agulha em Pancas, Três Pontões em Afonso Claudio, e outras grandes conquistas de peso para época, e que até hoje desafiam, mesmo com toda tecnologia e técnicas que usufruimos, muito ao contrário da realidade dos tempos antigos, onde o espírito aventureiro dos montanhistas é que supriam a falta de recursos técnicos. Literalmente, é de tirar o chapéu!
Mas foi antes disso, em 1947 que uma escalada de grandes proporções foi realizada no estado, com a conquista do Pico do Itabira pela via Silvio Mendes, um marco na escalada brasileira pelo estilo arrojado e corajoso da conquista e principalmente dos seus conquistadores. Este foi o pontapé da escalada técnica no estado, tornando esta montanha símbolo da escalada capixaba. E com 61 anos de idade a Silvio Mendes esta lá, com seus grampos pé de galinha em bom estado de conservação, e que são utilizados até hoje para sua repetição.
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Sarah no crux da Bela Vista.


Anos se passaram e outras duas vias foram conquistadas na mesma montanha: a Chaminé Cachoeiro na década de 60, onde foram utilizados os pitons pela primeira vez no Brasil, e em 99 a Face Nordeste, em um paredão de cor alaranjada com sistemas de diedros e longos trechos negativos a esquerda da Chaminé Cachoeiro.

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Itabira: montanha símbolo da escalada capixaba.

Artificial em cliff.


Outras montanhas cercam a grande agulha do Itabira, e nelas foram sendo abertas diversas vias que se estendem dos 100 aos 500 metros por aderências e agarras, em um granito de ótima aderência e muitos veios de cristais que 'rabiscam' estas paredes de lado a lado, por toda sua extensão.
O Complexo do Itabira, assim denominado por agregar quatro montanhas (Pico do Itabira, Pedra do Meio, Pedra do Tião e Pedra do Lagarto), possui hoje 22 vias, e pode ser considerado o melhor centro de escaladas tradicionais do ES, isso no sentido de agregar em um só espaço, diversas vias.


Escalando na calada da noite...


... e bivacando na Via do Patrick.


Desde meus primórdios na escalada, sempre fui frequentador assíduo do complexo. Mas havia um certo tempo que não me instalava no local para desfrutar de um "internato tradicional".
Juntando a vontade repentida que deu de por lá escalar, com a situação de "ter que ir lá escalar" com um propósito de trabalho, na semana passada rolou, e por três dias fiquei por lá escalando na companhia de Sarah Abner, que vem se mostrando uma boa parceira para aquelas escaladas que intitulamos de: roubadas...


Sarah em sua primeira guiada, pelos 170 metros da Vânia.


Croquis: do rascunho ao Guia de Escaladas do ES.

O "ter que ir lá escalar" foi devido a necessidade de repetir as vias do complexo, fazer seus croquis e coletar informações diversas para o Guia de Escaladas do Espírito Santo que venho escrevendo. Projeto este que deve ser concluído no segundo semestre de 2009, resultando em um livro que abrangerá as escaladas de todo o estado de uma só vez. Ufá, da cançaso só de pensar... mas vamos tocando, pra cima, que no final tudo vai estar catalogado e disponibilizado para todo Brasil desfrutar das escaladas capixabas.

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Vias do Complexo do Itabira. Clique para ampliar.

Nestes dias nos concentramos em escalar e catalogar as vias da Pedra do Tião, que é o setor que abriga a maior quantidade de vias, atingindo até 200 metros de extensão. Em uma segunda investida faremos o resto do trabalho, catalogando clássicas vias como: Lagarto (300m) e Macaco (400m), fechando todo o complexo.

Mas de antemão já deu para registrar e fazer o traçado de todas as vias, que segue no croqui/foto acima. Clique e amplie a imagem para melhor visualização.

Algumas vias não teve como ter acesso aos nomes e detalhes, ainda. Mas a grande maioria esta com seus dados descritos. Se houver alguma discordância em relação a graduação, alguem que tenha estas informações, sinta-se a vontade para me contactar para realizar a correção.

O anoitecer de Cachoeiro de Itapemirim.


Localização: A partir de Vitória, o acesso a Cachoeiro de Itapemirim se dá pela BR 101 sentido sul, com a distância de 130 Km. Depois de passar pelo Frade e a Freira - cartão postal do estado e também point de escalada - pegar a direita em um cruzamento que é a antiga entrada de Cachoeiro. Seguindo por esta estrada já se avista o Itabira por vários ângulos. Seguir até o lixão e pegar a direita novamente até o sítio da Dona Cleunir, que fica aos pés do Complexo do Itabira.

É possível acampar no local, e não tem custo para isso. Como já diz as recomendações de Mínimo Impacto em Ambientes Naturais: "Seja cortês com a população local"... e desfrute de belas escaladas tradicionais no ES.
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5 comentários:

Soldado disse...

Agora sim....gostei muito da materia e sei onde tm um lugar recheado de tradicional com diversas dificuldades e tecnicas, das faceis a dificil.

Vamos marcar uma aventura por aquelas bandas.

Abraços

Sarah Abner disse...

Êta Bald's!! Pode contar comigo pras roubadas... Pronto. Tá registrado. Bjoo!!

Lukinha disse...

Parabééns ai pela matéria!!!!
abçs

Yuri disse...

Orra, meu, muito legal isso do guia e da parte histórica da escalada. Só tem coisa linda por aí mesmo! Muito legal!!! Esperarei ansiosamente pelo livro!
Beijos!

fred disse...

Gostaria de entrar em contato para fazer uma matéria para a Revista Moment.
Se possível meu email é hugoteixeira@revistamoment.com.br.
A versão virtual, se quiser dar uma olhada na revista é www.revistamoment.com.br..aloha