quarta-feira, 22 de abril de 2009

Feriadão em Afonso Claudio, ES


Como aproveitar os quatro dias do feriado de Tiradentes escalando em terras onde as chuvas estão caindo constantemente, e a previsão não eram das melhores? Viajar quilômetros e arriscar em deparar com as paredes molhadas? Mas na pior (ou melhor) das hipóteses, agora teríamos onde escalar no ES mesmo com uma chuva torrencial. Destino então: Afonso Claudio!
.
.
Três Pontões: Dedinho a direita. Foto Oswaldo Baldin


Esta cidade localiza-se a 150km de Vitória, na região serrana do Estado. O acesso é pela BR262, passando as margens da Pedra Azul. E, superando as espectativas, o céu estava azul, ensolarado, e com uma agradável temperatura, condições perfeitas para desfrutarmos de bons momentos de escaladas no feriado.


Sarah Abner nos lances técnicos de 7c da Via Hanga.

No sábado as 5h da matina saímos em quatro (Baldin, Sarah, Afeto e Carapeba) rumo a Afonso Claudio, onde fomos recebido pela ótima hospitalidade de sempre dos escaladores locais Roberto e Robinho. E sem perder muito tempo, partimos logo para fazer uma via tradicional bem próxima a cidade, na Pedra do Hanga.

A via transcorre em uma parede 'bem apique' (íngreme), como se diz no dialeto do interior capixaba. Uma escalada de 150 metros, totalmente técnica em cristais de gnaise, tendo a segunda enfiada como a mais difícil, com lances de até 7c. Uma boa via, com fácil aproximação até a base, e sombra pela manhã.

.

No término da via: Afeto, Baldin, Sarah e Carapeba.


O objetivo principal era a escalada do Dedinho: uma ponta que se ergue em cima dos Três Pontões, e intriga devido ao seu formato. Por ter a base mais estreita do que a parte superior, parece estar prestes a desabar a qualquer momento. Mas antes que o Dedinho venha ao chão, resolvemos no domingo escalá-lo, juntando-se a nós mais uma cordada, com Fred e André.
.
Acordamos as 4h da madruga e rumamos para os Três Pontões para iniciar a empreitada desta escalada, que consumiria um dia inteiro. O acesso ao Dedinho é feito pela parte de traz do conjunto. Subimos de carro pelas estradas de terra até onde o motor aguentou, e continuamos a aproximação caminhando pela estrada, entrando em um cafezal que levou a uma nascente, onde abastecemos os cantis. Adentrando em meio ao capim meloso, chegamos ao costão de 120 metros que nos levou até a uma chaminé. Neste local inicia-se a 'via de aproximação' para o Dedinho: escalada pela chaminé (4º) e depois lances fáceis até a P1 (35m), depois saindo em uma aderência (5º) e trepa pedra chegamos na P2 (40m), e com mais 100 metros de trepa mato estávamos finalmente na base da via Inferno na Torre, no pontão do Dedinho, as 9h.
.

Primeira enfiada da Inferno na Torre.


A primeira enfiada foi conquistada em artificial em grampo, mas hoje pode ser escalada até sua metade em livre, dando um 7b. A outra metade da enfiada - a partir do tetinho - segue em artificial, devido as agarras serem muito quebradissas. Esta enfiada termina em um grande platô que foi palco do acontecimento que deu nome a via, quando conquistada em 96: Roberto Tristão e Gilberto Azevedo lá estavam cozinhando, quando o fogareiro estourou, causando um grande susto e sufoco, e ali a via foi batizada de "Inferno na Torre".
.
A partir deste platô, a segunda enfiada (20m) segue em diagonal para direita até uma enorme laca encostada no paredão, a uns 400m de altura. Depois a via continua contornando ainda mais a direita, passando por uma aresta e entra numa fenda, onde tem um piton da conquista - a proteção pode ser melhorada com um friend #2 (25m). Depois a parede vai perdendo a inclinação e ai: cumeeeeee!
.
.

No cume do Dedinho: Carapeba, Baldin e Sarah.


Pra mim foi a terceira vez que fiz este cume, agora na compania da grande parceira Sarah e do brother Carapeba. Os outros comparças optaram em não fazer cume devido ao tempo que corria alvoroçado... e ainda faltava a 2ª parte da escalada: o retorno, que vem a ser o crux da empreitada. Voltar pelos rapéis da via de aproximação e mais os costões, quase sempre resultam em pegar a noite, e nesta situação, achar o local certo da trilha no capim meloso significa muito. Mas sem maiores problemas, as 19h estávamos de volta ao carro, muito satisfeitos! Certamente, uma das escaladas mais recomendadas do ES.
.
.

Quando a queda é inevitável... banho!


Com os músculos pedindo arrego da escalada do Dedinho, a segunda foi dedicada ao necessário 'dia de descanço'. E para este dia escolhemos a Cachoeira de Santa Luzia, para repor as energias, onde esticamos um slack-line sobre o rio. Para escalador que não é fã de água fria, este é um ótimo pretesto para um banho, pois as quedas são quase sempre inevitáveis. A não ser que o sujeito seja muito bom no balancê da fita.
.
.
Escalada noturna na via Mickey Mau.


No final da tarde (após um churrasco) rumamos para as proximidades da face frontal dos Três Pontões, onde a pouco tempo foi descoberto um novo setor que tem mostrado ser o futuro promissor da escalada esportiva do ES. Uma rocha negativa, macia, com muitos batentes e abaulados, vem sendo investida com vias... O local será inaugurado no "Festival de Escalada e Montanhismo do Espírito Santo", que acontecerá no feriado de 7 de setembro, e será divulgado em detalhes aqui no Blog. Vão se programando!
.

Rango!


Pernoitamos por lá, onde rolou até uma escaladinha noturna. E na terça pela manhã acabamos de equipar outras duas vias.
.
Fica aqui nossos agradecimentos pela hospitalidade do Robinho, e do Roberto e Leidi, que além de nos abrigar em sua casa, nos proporcionou um belo churrasco no dia de descanço.
.

O novo e promissor point esportivo do ES.

3 comentários:

Fred disse...

ah mulek.....falesia oculta é o futuro da escalada esportiva capixaba....Tarja Preta...
To voltando fihhh.....
Abrax
Fred Viana

Eliezer Haber disse...

fala ai to indo ai para esse lugar maneiro ai;bora para agulha este fim de semana?Eliezer Haber JF.Abraco galera

BALDIN disse...

Fala Eliezer! Tá bão?

Dá um alô qd tiver pra vir que agente marca de escalaaaar!

(27) 9998-4485

Abração,
Baldin