sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Mulheres no Montanhismo

Por Janine Cardoso (Colunista do site Alta Montanha)


Após finalizar minha palestra no estande da ABETA na Adventure Sports Fair, meu amigo Pedro Hauck me lançou uma questão:

"Vejo que existem muitas mulheres praticando a escalada pelo mundo e gostaria de saber por que você acha que no Brasil não existe um número significativo de mulheres que se lançam no montanhismo?"


Na ocasião, respondi que, resumindo, acredito que a mulher possui uma natureza delicada voltada mais a cuidar da prole e se resguardar, e que por mais que muitas não cheguem a ser mães, naturalmente a mulher foi ´feita´ para procriar.

Pode-se dizer até que a própria TPM (Tensão pré-menstrual) é uma frustração do corpo feminino por não ter engravidado...

Porém, repensei essa questão pensando não só em mim, como em muitas mulheres que praticam o montanhismo pelo Brasil e pelo mundo, que igualam-se a muitos homens, e ao mesmo tempo não deixam de ser femininas, delicadas e mães.

Sendo assim, discuti um pouco o tema com o Pedro e percebi que ao menos no Brasil, o bloqueio é muito mais cultural do que uma questão de natureza.

A meu ver, tal bloqueio começa no fato de que apesar da mulher brasileira não utilizar a burca como nos países do oriente, a maioria dos brasileiros e brasileiras possui uma visão machista e preconceituosa, e isso reflete-se na escolha de atividades, entre elas as esportivas.

Sem dúvida, o Brasil ´castiga´ as mulheres a serem escravas de um papel delicado, o que algumas superam, correndo atrás de uma essência que está por trás desse paradigma...

E para piorar ainda mais, o Brasil é um dos maiores ícones de beleza feminina e de certa forma essa imagem ajuda a frear que muitas mulheres sigam sua verdadeira natureza, massacradas por esse culto à perfeição exterior.

Sendo assim, a manutenção dos cabelos impecáveis, da pele jovem e hidratada, das unhas feitas, do corpo sem muitos músculos, sem roxos nas pernas, do perfume criado em laboratórios superando a essência natural, sem cicatrizes que marquem e relembrem uma história transformam as mulheres em criaturas em séries... e cheias de medo.

Medo de não conseguir, medo de se machucarem, medo de não serem aprovadas... medos.... E o medo as afasta da plenitude e faz com que vivam a busca por uma vida imposta pela sociedade...e NA sociedade.

Resumindo, o homem admira uma mulher que tenha coragem, resistência ao medo, controle do medo, mas no final das contas, ele também é regido por aquela imagem de mulher que será o modelo de mãe perfeita, aquela que foi feita para procriar enquanto ele ´caça´.

Sendo assim, atingir os cumes mais altos, desbrasvar montanhas e mares é um modelo de vida que pode ser vivido plenamente quando os estímulos externos e culturais permitem, não julgam e não condenam, ou quando não se tem medo de seguir o coração e o impulso interior.

O próprio Pedro Hauck me disse que escalou com algumas mulheres muito fortes que não ficavam atrás em nada durante as escaladas.

Concluímos então que não há impedimentos físicos para a mulher.

Concluímos ainda que pessoas, homens ou mulheres, que escolhem praticar atividades de aventura apenas pela imagem "descolada" que isso proporciona, acabam desistindo pois não ´mergulham´ verdadeiramente no espírito.

"Acho que escalada e montanhismo é algo dificil mesmo e poucas pessoas se aprofundam. Claro que com uma cultura machista, das poucas meninas que começam, menos ainda são as que chegarão à nivel avançado, e infelizmente é isso o que tem acontecido, vide o campeonato paulista deste ano, que só teve uma menina inscrita", comentou Pedro em uma de nossas conversas.

GO DEEP e acredite no seu potencial...
...Indenpendente de sexo, religião, raça, mergulhemos despidos de qualquer estímulo que vá contra a nossa natureza.

Boas descobertas a todos.
Bj,
Janine

Fonte: http://www.altamontanha.com/colunas.asp?NewsID=1712

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