sexta-feira, 30 de abril de 2010

Conquista na Pedra da Mula - Pancas


Após finalizar a conquista na Pedra da Cara, do cume bato um telefonema para o Sandro Souza - que estava em Vitória -, e informo sobre as condições climáticas em Pancas: sol entre nuvens e com possibilidade de chuva. Sem pestanejar o sujeito se anima, e fica fechado que na sexta (02/04) ele baixaria por lá, fortalecendo a cordada para uma próxima conquista.


Pedra da Mula, no distrito de Lajinha em Pancas. Foto Baldin.


Entre tantas possibilidades de montanhas virgens em Pancas, fica complicado a tarefa de escolher em qual investir. Mas me vem a mente uma montanha chamada Pedra da Mula, que visitei na trip anterior com PH, onde fomos conduzidos até ela pelo Elson (Subsecretário de Turismo). Esta montanha fica no distrito de Lajinha, um pouco antes de Pancas, e é mais uma das dezenas de muralhas de granito que formam o Monumento Natural dos Pontões Capixabas.


Iniciando a conquista do diedrão.


A Pedra da Mula é simbolo de Lajinha, e fica de plano de fundo da cidade. Tem um enorme buraco de cor amarelado bem no meio da parede, que faz lembrar o formato de uma mula. E nosso objetivo era de conquistar uma via que levasse exatamente para dentro desse buraco, e pra isso um grande diedro era a linha perfeita.



Via em móvel, com predominância de peças grandes.



No sábado Sandro, Tatu e eu partimos pra Lajinha. Como estávamos sendo guiados pelo Fabinho - figura local e bem conhecida - ficou fácil achar o proprietário das terras que dão acesso a pedra. E assim conversamos com o Sr. Baldoino, que foi super receptivo conosco.

Uma estrada de terra pemite o acesso de carro bem até em frente a pedra. Depois foi atravessar um riacho e subir um pasto até entrar na mata. Gastamos quase 2 horas de caminhada, mas chegamos direto na base do diedrão.


Baldin iniciando a segunda enfiada...


... e Sandro continuando, e se entalando.


A primeira impressão do diedro não foi muito animadora. O início estava bem úmido e com bastante musgo. Mas o ponteio do relógio já estava adiantado, e o Sandro se equipou com as maiores peças móveis que tínhamos e iniciou a conquista. Foi escalando em chaminé, e se protegendo entre móveis e proteções naturais em blocos entalados e árvores. Montou uma parada em móvel e Tatu eu e subimos. Continuou seguindo para completar a enfiada e bateu uma chapa estabelecendo a P1 com 60 metros.


Rumo aos buracos.


Nesse momento nosso primeiro dia de investida chegava ao fim, visto que a chuva desabou sobre nós. Deixamos a corda fixa na parede e as tralhas na base , para não termos que subir pesados no outro dia. Uma cervejinha na volta em Lajinha ajuda revigorar a alma, e os corpos se dirigiram ao sítio para se restabelecerem para o dia seguinte.


Tatu de morro acima!?


Como já diria uma canção (que não recordo de quem seja): "... nada é aquilo que parece ser...". Há 4 meses atras, quando da estrada eu e PH olhamos para esse diedro, acreditávamos que a parte baixa dele até poderia ser largo, mas a parte de cima achamos se tratar de uma fenda. É, fendinha para entalamento de mão e coisa e tal. Mas agora, pendurados na P1 já na manhã do segujndo dia de investida e olhando pra cima, tivemos a certeza que o diedro permaneceria bem largo e continuaria a exigir a escalada em chaminé na sua maior parte.


BigBro entalado.


Comecei conquistando alguns metros da segunda enfiada, e depois o Sandro seguiu e bateu uma chapa. Depois se entranhou bem pra dentro de uma chaminé estreita que tinha uma das paredes bem instáveis. Foi protegendo como dava e bateu mais uma chapa a 40 metros, fechando assim a segunda enfiada. Essa chaminé se mostrou como sendo o trecho mais difícil da via.


Baldin partindo para a ultima enfiada.


O buraco da mula agora sim parecia estar próximo. Parti então para conquistar o que anunciava ser a ultima enfiada. Saindo da P2 foi possível escalar uns metros a esquerda em agarras, e depois retornando ao diedro para proteger. E dando uma pescoçada pra cima pude observar algo muito satisfatório: o diedro acabara e se transformou enfim em uma fenda, que seguia agora em uma inclinação mais vertical. Até que enfim nossas peças menores (levadas na incerteza) seriam usadas! E quando a fenda acabou rolou uma estica e pronto, chagava em um platô que media uns 50m de largura por uns 20m de profundidade.


A grandisidade do buraco da mula.


Quando os comparças chegaram e se juntaram no buraco da mula, o sol já começara a se esconder no horizonte. E com a claridade do final do dia pudemos caminhar pelos metros do belo buraco, e soltamos foguete para dar sinal a população de Lajinha, que estava mobilizada com nossa escalada. E aquele local incrível merecia uma pernoite. Felizes, cansados, fedidos, e sujos feito "Cor de Mula Quando Foge", cada um se ajeitou em seu canto no chão de areia e partiu o bivaque, esse sim completamente protegido de qualquer chuva.


Parceria firmada e via conquistada!


Nos primeiros raios de sol juntamos as tralhas e nos lançamos para descer. Deixamos para traz somente o livro em uma marmita, que desta vez não ficou no cume da montanha, e sim em um buraco impressionante a 150m da base. Não achamos interessante tocar a conquista pra cima, visto que a parede que se estendia era negativa, completamente lisa e cheia de placas instáveis. Sendo a escalada até o buraco muito interessante e variada e uma boa pedidda para que curte o estilo tradicional, entre proteções móveis e naturais. De fixa só 4 chapas para estabelecer as paradas, ficando assim uma via bem limpa. E um fator bem positivo é o fato da via ficar o dia todo na sombra... e isso conta muito, em se tratando das temperaturas altas em Pancas.


Livro de cume, ou de buraco?


Agradecemos pela hospitalidade da família do Sr. Baldoino que nos abriu as portas, e a população de Lajinha que estava torcendo pelo êxito da escalada. Ao Fabinho e a Dona Joaninha, que tem nos acolhido em seu sítio durante estas belas investidas. E ao Elson, pelo incentivo em desenvolver o Montanhismo em Pancas.

Mais um 'videozinho', com alguns momentos da escalada.




Para repetir a via é necessário um jogo de Friends. Sendo camalots, se repetir as peças maiores (# 4, 5 e 6) a proteção fica mais tranquila. Levar muitas fitas grandes para as proteções naturais, e algumas outras para abandonar nas chapas no rapel. E duas cordas de 60m para permitir a descida.


Clique para ampliar o croqui.


O acesso à Lajinha é feito entrando em um trevo a direita (sinalizado) antes de se chegar a Pancas. E depois é seguindo em asfalto até a cidade (uns 10km). No final da cidade é ir em direção ao posto e depois seguir por estrada de chão, entrando na segunda a esquerda. Deste ponto é só ir no rastro da mula.


2 comentários:

isabel disse...

Muiiiiiiiiiiiiiito 10!!!!
Mas haja coragem!!rsrsrs
deixo os meus parabéns pela conquista de vocês!!!
Valeu!!!
abraços

André Funari disse...

Muito show de bola!
Que pedra alucinante. Deve rolar altas vias saindo e passando naqueles buracos não??

Abraços, André funari.