terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Investida nº (?) na Pedra do Vilante, ES

Sr. João Batista, sempre atento às nossas movimentações.


Muito possivelmente, por não termos pré planejado mais esta investida da conquistada do Vilante (já uma epopéia), foi que o tempo não fechou para o nosso lado, já que carregamos o karma de em muitas outras tomar chuva nessa parede. Mas dessa vez quem nos recebeu foi o sol: um sol quente e ardido de verão, que fritou quatro carcaças durante o final de semana.


Fome e sede, se somados ao calor, pode causar sérios efeitos...


No sábado não chegamos na montanha tão cedo, e o tempo que gastamos para fazer as jumareadas e rebocar os quilos de equipamentos nos consumiu a manhã inteira!


Rebocando as tralhas.


E neste vai e vem pelas cordas fixas, uma delas nos mostrou sua alma durante a ascenção. Estar dependurado em um negativo à centenas de metros do chão, com sua integridade dependendo exclusivamente daqueles 11mm de diâmetro, e você observar aqueles fios da capa da corda alvorossados numa aresta da rocha com a alma já exposta, definitivamente não é uma das melhores sensações.


"A minha alma tá armada e apontada para cara do sossego."
(Música: Minha Alma - O Rappa).


Quanto o PH começou a conquistar a oitava enfiada o sol já estava nos castigando (lá é sombra pela manhã). Ele saiu no rumo de uma fendinha para direita, intercalando artificiais em cliff e parafuso. Quando chegou no objetivo, viu que não era uma das melhores fendas de sua vida, mas conseguiu proteger alguma coisa em friends. Bateu uma chapeleta, e baixamos-nos pela parede.


E aê, qual vai ser?


Elementos das movimentações em artificial.


Não queríamos repetir o acontecido do dia anterior, de só começar a escalada (a conquista em si!) só à tarde, e no sol. Com este objetivo nem esperamos o galo cantar, e começamos os trabalhos rumo ao Vilante às 4 horas da matina... e às 10 horas estávamos na P7, prontos para percorrer mais um trecho de rocha virgem.


O que seria um ponto rosa no meio do paredão?


Parti para dar continuidade a conquista à partir do ponto que PH havia deixado. De cara fui presenteado com mais rocha podre (vide investida anterior), e para resolver, só os parafusos mesmo. Depois segui em diagonal para esquerda vislumbrando um diedro fendado. Quando cheguei nele foi o momento decepção: o diedro na verdade era um blocão do tamanho de uma Kombi, todo podre, ôco, esfarelento, instável, e que pesava algumas toneladas. Enfim: não dava para usá-lo.


Ê tome marretada...


... mais os parafusos: para progressão, e/ou para proteção!?


Então segui dialogando com os cliffs, até que cheguei no tão sonhado 'diedrão' - que namoramos durante muito tempo lá debaixo -, e nele pude usar os camalots gigantes que estavámos rebocando parede acima, na incerteza se seriam úteis. Bati a P8, e o Soldado subiu limpando a enfiada.


Camalots #5 e 6: estes são grandes amigos.


Limpando a oitava enfiada.


Com o sol já se escondendo no horizonte, Tatu organizou toda tralha para podermos baixar pela montanha. E assim finalizamos uma quente (mas melhor assim!) investida no Vilante, que teve seu objetivo alcançado. Agora já podemos vislumbrar com mais empolgação o final dessa conquista.


E que a próxima investida seja a última.

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3 comentários:

Hermes Thorvalden disse...

essa missão foi árdua. mas valeu o prazer de ter cumprido.

RgRfotografias disse...

Essa galera de "Rosa" kkkkkk! Falta pouco hemmm! Teremos o Cume em Breve pelo que estou vendo! Boa Galera! Parabéns!

Baldin disse...

Que a cerveja para comemorar esta conquista seja pra breve... e conto com vcs! rs.