segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Mais um capítulo da novela Conquista do Vilante

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No ultimo feriado de 7 de setembro lá estávamos novamente (Tatu, PH, Soldado e eu), na face frontal da Pedra do Vilante (Serra/ES). Jumareando nas cordas fixadas ha um ano na parede, nos movimentando em lances aéreos e em pêndulos, e a cada arrastada dos jumares nas cordas (velhas?), um barulho - nada empolgante - ecoava, nos remetendo ao fato das cordas estarem bastante ressecadas. Quando todos nos reunimos na P8 após a maratona da jumareada e reboque do haulbag, o sol já se despedia no horizonte.


Jumaraê! Foto Hermes Pereira.


Nas luzes do headlamp o PH partiu para conquistar a 9ª enfiada, no objetivo de fazer a virada do diedrão para finalmente saírmos da parte vertical/negativa da parede. Quando ele estava se movimentando lá pra cima, eis que foi parar lá embaixo! Tomou uma queda, machucou a mão, e resolvemos finalizar os trabalhos daquele 7 de setembro. Esticamos nossas redes à 300 metros de altura, e fomos agraciados por uma noite tranquila e sem ventos... uma das melhores noites que já passei (pendurado) na montanha.


Acampamento suspenso. Foto Paulo Henrique Munhoz.


No amanhecer assumi a empreitada de terminar a conquista da enfiada. Jumariei um lance aéreo, e logo coloquei a furadeira para funcionar. Finalizei a 9ª enfiada com 50 metros batendo a parada na ultima força da bateria da furadeira. Finalmente saimos da parte mais íngrime da parede, atingindo um enorme platô que vislumbrávamos lá da base. Enfim um enorme alívio para nossas cinturas estranguladas pelos bauldriers.

Sabíamos que o cume estava perto, muito perto. Com o Soldado chegando no platô visualizei a linha da 10ª e ultima enfiada, e parti na ânsia e euforia do término da conquista. E eis que entrei numa tremenda roubada (não vou alongar em detalhes), e tive que rapelar em uma raiz de bromélia (conhece a técnica do brinco de bromélia?)! Uma experiência um tanto esquizita, inovadora, e como não poderia deixar de ser: adrenante!


Os 4 elementos reunidos à 50 metros do cume.
Foto de Fabio Gerra, tirada da BR101.


O Soldado subiu pela retinida que usei para rapelar, chegou na bendita bromélia, bateu uma chapeleta e desceu exausto, pois o sol já estava castigando muito. Então o Tatu subiu e conseguiu entortar duas brocas (deve ser pela angústia da sede, rs), e desceu. Nos vimos em uma situação um tanto complicada, e sem água para concluirmos a conquista e descer da montanha, tendo que limpar os mais de 300 metros de cordas fixas na parede, o que necessitaria de mais uma pernoite. Mesmo com o cume muito próximo, reconhecemos que deveríamos regressar. Deixamos sacos de dormir, redes, agasalhos e cordas dinâmicas lá em cima. Que a próxima investida seja em breve, seja breve, e a ultima!

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2 comentários:

andre luiz disse...

Isso é uma novela ou Obra de Igreja???
Posso ate imaginar...as mãos tremulas escrevendo no livro de cume, todos Coroas, a famosa barba do Baldin já branca, a arcada dentaria do Soldado já amarelada, o Tatu sem poder cavar buracos, alem dos demais com mal de Parkinson, tudo isso pelas tantas e tantas investidas.
Pode deixar que vou estar as margens da BR-101 já DUPLICADA, com meus netos ouvindo os fogos da conquista!

Ivanor disse...

Que perrengue hein fí !!! E eu que achava q brinco de bromélia só tinha efeito psicológico. Sinistro...